Neve!
Era tudo que encontrávamos naquele maldito país. Ocasionalmente algumas árvores mortas ou galhos retorcidos que destoavam quase que iguais pela imensidão da tundra no que deveria ser já faz tempo um pântano. E o Cheiro, Eu especialmente odiava aquele cheiro de pólvora que podíamos sentir a metros e metros de distancia. Apesar de tudo era um dia Limpo, sem nevascas ou fumaça de cachões ou Fogo.
Estávamos eu, Frida, naquela época a primeira SS a participar desse tipo de operação, e também o maldito do Hans Landa! Um tenente de olhar psicótico com uma maldita insígnia caveirada presa no seu quepe! Não entendia porque uma caveira! Estávamos naquele país para libertarmos todos de sua ignorância e mediocridade proletariada e com isso o Mundo então seria perfeito!
Ahhh como eu era ingênuo! Nunca tinha visto o que os loucos como Hans fizeram nos laboratórios subterrâneos e tudo mais!
-Acho que o senhor deveria ater-se a história! Você sabe que não deve divagar para que possamos chegar à raiz do problema.
-Eu estou aqui por pura e espontânea vontade então contarei a história como me convier!
Então... Ele era mesmo um babaca! Enquanto nós tínhamos casacos de verão e Arbalestas ele desfilava por ai como um completo idiota. Sobretudo cinza, Uma MP-40 em punho e um saco de couro em outro.
-Ele está aqui por perto! -O babaca disse sem nem olhar para nós e então andou alguns passos a frente. Ele me chamou a frente para que pudesse ver que ali havia uma vila, suja e abandonada, mas sem nenhum vestígio de luta.
-A Criatura nos atrai até um lugar fechado para nos atacar e então o caçador se torna a presa. Vamos acampar aqui fora mesmo onde eu possa vê-lo com antecedência! -Falou o babaca já pondo suas coisas no chão entre um muro antigo de pedras e uma velha arvore desfolhada. –Vocês dois fiquem de guarda! –Deitou com a cabeça sobre a mochila e dormiu.
-Onde nós possamos vê-lo com antecedência não é? –Reclammei para Frida. Ela apenas me deu um olhar de reprovação e continuou onde estava com um pé apoiado sobre o morro e outro firme no chão, quase como aquela valquiriana que eu havia visto no pôster de recrutamento.
E Também sem olhar na minha cara ela me mandou catar lenha, pois necessitaríamos dela para aquecer a sopa e para a sobreviver a noite.
–E se a milícia nos encontrar pelo fogo? -Eu pensei! talvez alto de mais!
–Nós sabemos Russo! –Ela disse.
–A Milícia sabe Russo, mas as criaturas só sabem rasgar suas entranhas. –Confesso que me senti muito mal com meu próprio comentário e decidi que me afastar daqueles dois faria bem a mim.
–E se a milícia nos encontrar pelo fogo? -Eu pensei! talvez alto de mais!
–Nós sabemos Russo! –Ela disse.
–A Milícia sabe Russo, mas as criaturas só sabem rasgar suas entranhas. –Confesso que me senti muito mal com meu próprio comentário e decidi que me afastar daqueles dois faria bem a mim.
A velha Arvore ainda estava muito viva para queimar então me desloquei até a beira de um lago congelado para encontrar os galhos e talvez com sorte fumar um ou outro cigarro.
Logo que terminei decidi me apoiar firmemente a uma arvore e enquanto minhas mãos treinadas faziam o truque de por o fumo e lamber o papel eu divagava sobre a minha antiga vida em Berlim e o que deixei para vir até esse fim de mundo.
A Briga com meus pais, a Morte de Gunther na França, tudo aquilo que friederick se tornou, As Salsichas da tia Hilda e as camisas transparentes de Hannah passaram pela minha cabeça antes que eu pudesse dar a primeira tragada! Logo a fumaça saia devagar pelo canto da boca num estilo que eu gostava de chamar de "The Yorker Way", mas só atrapalhava a visão mais do que o normal.
Achei que havia visto algo passar batido vindo por detrás da arvore, mas acredito que era só besteira da mente, então segui para a segunda tragada. Pouco pude notar a mulher perto do centro do lago me encarando antes que pudesse já tragar e no susto que se seguiu engolir toda a fumaça tossindo como um idiota por no mínimo um minuto. Quando me recuperei ela já estava bem perto de mim; estranha, porem não ameaçadora. Ela vinha andando, quase se arrastando devagar em minha direção e eu murmurei algo que agora não me lembro. Só sei que me atrapalhei e acabei dizendo em alemão comprometendo meu disfarce. Eu teria que matá-la.
As Mãos tremiam e o treinamento era esquecido enquanto minhas costas prensavam cada vez mais contra a árvore. O cigarro caíra e apagara no chão e ao olhar para a arbalesta senti que algo quente e molhado havia caído no meu rosto. O Maldito havia acertado ela! E eu só podia olhar a frente um osso de fêmur com a rótula ensanguentada. Ele a havia acertado bem na cabeça, perto dos olhos não me lembro o nome do local, mas sei que não era bonito de olhar o resultado, pois havia tanto sangue que seu cabelo grudava as feridas da face e a neve ficava cada vez mais avermelhada o que estranhamente me lembrava uma raspadinha de licor de cereja.
-SCHEIBE!!! -Ele gritou... -Não era ela!- Frida veio logo depois! –Quem era essa? –Ninguém! -Ele retrucou! Enquanto escondia rapidamente o osso de volta na bolsa e sem dizer mais nada me virou as costas e voltou até o posto. Pude ver duas barracas ao pé da primeira arvore e finalmente me senti livre para chamar aquilo de posto. Frida o seguiu e eu logo fui atrás!
Esquentamos a sopa quente e nojenta na noite que já não era mais tão calma! Ao longe podíamos ouvir a artilharia pesada sobre as cidades vizinhas, mas a minha mente estava na mulher do lago e no osso de Landa. Eu tinha certeza que sonharia com aquilo...



