quinta-feira, 21 de abril de 2011

Algo antiiiigo...


Ambos agora se encontravam sentados um de frente para o outro numa cafeteria CokeBucks próxima. 
  -“Anie Girl” você não é a mesma ruiva de 15 aninhos que gostava de ver aqueles documentários independentes não é? Juro para você que pensei estar puxando conversa com uma completa estranha!
  -Anita ainda um pouco preocupada apenas dava respostas simples enquanto brincava com seu canudo.
  -É. Eu Mudei bastante.
  -10 anos é tempo de mais. Não apenas para gente, mas para o mundo também.
   –Gunther parecia distraído e ficava olhando para fora da cafeteria. Dava para perceber que estava chovendo bastante pelo barulho do lado de fora, mas as janelas da cafeteria apenas reproduziam um dia ensolarado no campo com direito a até crianças de mentira brincando no pasto. –Vai me fazer acreditar que crianças ainda brincam no pasto?!
  -Ela odiava quando ele começava a reclamar por isso o cortou.
  -O que tem feito de útil meu rapaz? –Mas ele estava perdido em seus pensamentos.
  -Anie antes da guerra as pessoas não tinham tanto medo e o medo é gerado pela ignorância. Antes da guerra as pessoas podiam ter toda a informação do mundo em um segundo e qualquer um podia ser um artista ou um contador de verdades. –Os Olhos de seu velho amigo se enchiam de saudade. –Mas agora só um bando de Putos pode ter a informação e fazem com ela o que bem entendem. Por isso esse almanaque, coisa do século passado, agora é algo que vende bastante. Tudo agora voltou a ter um preço. -Parou para tomar um gole de café e perdeu sua chance de continuar.
  -Talvez agora nós possamos dar mais importância ao pouco que temos não?
  -É talvez. Você pode estar certa e eu apenas ser um idiota com sonhos infantis. Eu agora trabalho para os tais Putos sabia?
  -Anita não pode conter a surpresa e soltou um ronco de desprezo.
  -O que mais um ex-Combatente poderia fazer? A criança cresce na guerra sabia?
  -Você é muito hipócrita Gunther!
  -E você sempre falou o que bem entendia, sem na verdade entender nada. Nós não somos uma organização secreta ou coisa assim. Meu Chefe, Willian, acredita que podemos fazer as pessoas melhores, para que esse mar de ignorância não cause outras desavenças.
  -Gunther você está se contradizendo muito. Suas mãos estão tremendo. Por quê?
  -Eu... Estou um pouco nervoso em te ver, assim tão der repente. –Anita agora segurava fortemente as mãos tremulas de seu companheiro. -Vai me dizer que seu sofrimento de trabalhar para quem odeia é maior do que uma pessoa que está ao seu lado? Você sempre gostou de conversar com pessoas novas, mas nunca teve a coragem de checar em profundidade cada ser humano.
  -Logo as mãos de Gunther pararam de tremer e ele a havia entendido. Aquilo com certeza era uma indireta. Nem havia se preocupado em saber o porquê tomava café com a sua amiga infância que se encontrava ali sem sapatos e com um estranho cheiro no cabelo.
  -O que aconteceu?
  -Eu tenho uma doença grave. Eu não posso ter meu filho.
  -Ao ouvir essas palavras ele tremeu por um momento e depois enrijeceu. Olhava para Anita como um Robô olharia para qualquer outro ser humano, mas não sentia frieza. Na verdade ele se encontrava totalmente concentrado. Seus olhos azuis então fizeram um pequeno movimento para cima enquanto ele buscava em seu bolso algo. Ao achar ele levanto-se com alguma dificuldade enquanto punha a mão sobre a mesa apoiando-se e então disse:
-Me ligue amanha okay? Acho que posso te ajudar.

Parte do Livro Homini Lupus Hominis  (Ainda em produção)

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