Saiba que o bolo não estava pronto, e que por isso eu fiz essa viagem. Uma viagem que não serve para muita coisa alem de passar o tempo, ou pelo menos é isso o que eu esperava.
No primeiro dia resolvi ir a praia, pos afinal a praia é o que define essa maldita cidade crimonosa, quente e caótica. O pior é que ainda se tem a corajem de chamar este lugar de paraiso. Não imagino quem deva achar tal coisa e se chegar a tentar concluo que deve ser alguem que nunca viu um pingo de natureza crua na vida! Acho que essas pessoas deveriam viajar para áfrica e morrer nas mãos dos que destroem aquele continente, se não forem as mesmas...
Mas como disse eu estava indo a praia. Um livro grosso de H.G.Wells na mão e uma revista na outra para relaxar. Primeiro prcisava procurar o lugar perfeito; escondido o suficiente para nenhum som me importunar, mas aberto o suficiente para poder ler sem forçar a vista. Enquanto eu procurava não pude deixar de sentir aquele cheiro de mar que as pessoas tanto amam, acho que essa é a unica parte paradisiaca da praia. o Cheiro...
Sentei em um banco de pedra muito sujo por sinal, mas por algum motivo achava que aquele lugar era o melhor que eu poderia escolher. cruzei as pernas e abri o livro na pagina 46. Eu ainda estava bem no começo e o primeiro conto era a maquina do tempo: Um conto sobre um cientista que descobre a viagem no tempo e acaba preso num futuro que ele havia considerado utópico. A vida das pequenas criaturinhas Eloi parecia bem divertida: Tudo eles tinham e tudo podiam, não conheciam nem ao medo e nem se importavam com a morte. Viviam o hoje e andavam como crianças... sempre muito curiosas, mas tambem sempre sem consequências.
Acho que foi nessa mesma parte do livro onde o cientista descrevia as criaturinhas que eu pude sentir alguem se aproximando. Eram treis velhas daquelas bem decréptas que ficavam fazendo aqueles gritinhos escrotos por qualquer coisa. Eu não sabia por que elas faziam isso, mas para mim pareciam treis gralhas escandalozas. provavelmente só queriam chamar atenção.
Uma delas me olhou sentado lendo e por algum motivo veio até a mim, com as outras duas a seguindo atrás.
-Você jovem. ja ouviu falar da palavra verdadeira de deus?
-Neste momento eu queria muito lembrar qual era a sub-religião maluca daquelas mulheres, por que o nome tambem era bem maluco, mas infelizmente eu só consigo lembrar das histórias que elas me contaram. Depois que eu desisti e disse que não havia elas começaram a falar que Deus estava esperando para fazer com que os bons quando morressem ficassem esperando ao lado dele até o dia do juízo final quando a terra seria destruída e todas as pessoas que escolheram o caminho delas voltariam para terra e seriam como Adão e Eva. Viveriam num mundo sem medo e sem dor junto com todos os seus entes queridos perdidos, por toda a eternidade! E Eu começava a me perguntar se conseguiria aguentar a eternidade ouvindo aquelas velhas.
Depois de falarem e me darem panfletos e tudo mais uma delas, com dentes tortos e bafo ruim olhou para mim muito nitidamente e disse uma coisa que mexeu comigo:
-Você garoto parece muito com o meu filho sabia? ele era musico. você tambem é musico?
-Mais ou menos, mas não sei se poderia me considerar musico, mesmo assim eu disse que sim. E a velha perguntou se ela podia me dar um abraço, porque eu era muito parecido com o filho dela. Não sei também porque eu consenti ela me abraçou.
E naquele momento eu não podia mas ver aquelas mulheres como gralhas chatas. Eu sabia que elas eram apenas seres humanas, apesar de muito chatas; Eu até olhava para a cara delas e tentava imaginar por de tras de todas aquelas rugas e maquiagem pesada as mulheres ou meninas que elas já fora um dia e descobri que o que elas eram agora era um produto do medo. Medo de ser feio, ou medo de perder o filho antes de morrer. Medo de tantas coisas que eu só irei compreender mesmo quando for mais velho...
Ela ficou muito feliz com o abraço e para mim não era nada de mais.Logo uma delas gritou agudamente:
-É o Ônibus! Ahhhh
-E o tudo acabou. As treis velhas sairam correndo e gritando para o motorista do onibus sacolejando suas penas e gralhando pelo caminho e eu fiquei sentado olhando para o horizonte.
Acho que esse mundo delas é muito parecido com o do livro, e como eu queria que naquele momento elas estivessem certas...
Amanha irei para fora da cidade. Só não sei como vou postar isso aqui. Vou ter de procurar uma Lan House...
domingo, 12 de junho de 2011
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